sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Escolhas deficientes

Era um dia de 2011. Acordei cedo e saí para cumprir minhas obrigações. Na esquina, havia um senhor em uma cadeira de rodas. Sorridente ele estava, vendia panos de prato. Descendo o olhar, podia se ler uma mensagem onde ele deixava bem claro o motivo de estar vendendo aqueles artigos de limpeza: Comprar uma cadeira que lhe fosse mais confortável e que lhe propiciasse mais agilidade.
Após os compromissos, retornei para casa. Na volta, em uma sinaleira, deparei-me com mais um deficiente. Ao meu ver, este tinha uma deficiência extremamente difícil. Ele nem possuía cadeira de rodas, rastejava pelo asfalto embaixo do sol de meio-dia. Seu olhar era vazio, não se via nenhuma expressão de felicidade. Ao ver a cena, me senti triste, de mãos atadas. Mas essa sensação durou apenas segundos, bastou eu virar a esquina para começar a pensar o quão complexo e enigmático é o ser humano.
Ao virar a esquina e olhar para a sinaleira em que eu estava, o deficiente que se rastejava como um caranguejo, que punha as mãos naquele chão sujo e saía recolhendo esmolas dos carros, simplesmente, se levantou e saiu andando. Milagre? Não, apenas uma demonstração de quão indecente uma pessoa pode ser.
Ter uma deficiência não te limita a nada, o que te limita são as suas escolhas. Aquele que realmente não andava escolheu encarar a realidade dele e superá-la. Escolheu acordar cedo e ir trabalhar, ir atrás do sonho de ter uma cadeira que lhe proporcionasse a velocidade dos seus desejos. O dito normal, escolheu viver na desonestidade. Escolheu enganar os outros e a si mesmo. Escolheu viver uma vida medíocre, afinal, ser nada era o seu limite.
Às vezes não desfrutamos de nenhuma deficiência, mas optamos por manter o olhar vazio, que nem o sujeito da sinaleira. Às vezes possuímos uma deficiência e mantemos o sorriso estampado. Às vezes, somos deficientes e não nos aceitamos, nos fazemos de vítima. Às vezes, somos normais e sabemos como sermos felizes. Às vezes, me pergunto por que somos assim? E só uma resposta vem à mente: Sempre vamos ser o que queremos ser. Seja a felicidade, a honestidade, a sinceridade. Seja o sonhador, o revolucionário. E jamais se esqueça: " As nossas escolhas revelam quem realmente somos, muito mais do que as nossas qualidades." J.K.Rowling

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Se a gente estudar, não tem greve...

Mais um dia olhando para as paredes. As circunstâncias nos levaram a isto. Policiais militares e governo não chegam a um acordo. Propostas são feitas, mas facilmente recusadas. O governo alega já estar no limite do limite e os policiais dizem só aceitar uma negociação se mandatos de prisão, que alguns PM's receberam, forem desfeitos. Ninguém cede e a gente pena. O policial é um trabalhador, um pai de família, um amigo, e acima de tudo,um SER HUMANO. Ele tem direito de receber um salário digno assim como um professor, um gari e tantos profissionais. Acho mais do que justo um aumento e sei que eles devem reivindicar os direitos que têm, mas com greve, não dá! Toda hora uma morte,um assalto! Sem contar como os nossos afazeres estão atrasados. Não podemos trabalhar, estudar. O medo de sair de casa prevalece, toma conta de nós e pelos fatos, fica difícil exterminá-lo. É revoltante ficar enclausurada e ainda ler nos noticiários que no carnaval, o policiamento é garantido. Ai está o erro do Brasil! Para estudar não tem proteção nenhuma, afinal, que valor a educação tem nesse país? O carnaval sim, ele produz conhecimento, capacitação e forma profissionais conscientes, que sabem votar. É no carnaval que devemos ser protegidos, pois ele revoluciona vidas. Sinceramente, cansei desse pensamento fútil que vigora na mente dessas pessoas que estão no poder. Se a educação tivesse o mínimo do valor que ela devia ter, Jacques Wagner não seria governador da Bahia, João não seria prefeito de Salvador e nem teríamos greves de policiais. Aprendam a valorizar o que pode realmente mudar esta sociedade que está tomando um rumo lamentável. Vamos estudar! São tantos os absurdos desses dias, que até faltou inspiração...

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Não lance seu voto numa poça.

Há pouco lembrava de uma cena que me marcou profundamente.
Era 2009, o relógio marcava 7 da manhã. Em breve minha aula começaria, mas enquanto não iniciava, fui para a sacada do meu colégio, dar uma olhada no movimento, nas pessoas, na rua. Olhava distraidamente até que um acontecimento me chamou a atenção. Naquela manhã havia chovido e poças tinham se formado. Próximo a uma dessas poças, deparei-me com um lance triste, lamentável. Uma senhora, aparentando ter uns 40 e poucos anos, imergia sua roupa naquela água suja e depois espremia. Ela colocava muita força, era perceptível a necessidade que ela tinha em ter aquela roupa seca rapidamente. Em contraste a esta cena, alunos do meu colégio desciam dos carros, com suas roupas bem secas,maravilhosamente passadas, com tênis de marcas, com fones de ouvido. Muitos a olhavam e poucos aparentavam piedade. A maioria olhava aquilo e mantinha o olhar frio, como se aquilo fosse normal. Pra muitos é normal, mas pra mim passa muito longe disso. Talvez muitos aceitem aquilo com normalidade porque, infelizmente, essa é uma realidade brasileira, mas aceitar tão facilmente esta situação é concordar com ela, é não optar por mudanças. Fiquei abalada. A cena me abalou, a reação das pessoas também e o pior de tudo foi sentir as algemas em minhas mãos. Não fiz nada e ainda fico refletindo sobre o que poderia ter feito. Hoje, tenho convicção, de que a ação mais certa a fazer eu não poderia executar naquele momento. Ainda não votava, não escolhia os nossos representantes. Hoje já posso e sei que a ação mais sensata que devo fazer para não me deparar novamente com esta cena é votar com ciência em quem estou votando e te transmitir esta consciência. Afinal, o meu voto é importante, mas extremamente impactante ele vai ser quando nos unirmos. Vamos votar em políticos que defendam os nossos direitos, que deem salários mais justos, que busquem o bem-estar de toda a sociedade e não somente de um grupo. Não vou defender partido nenhum, apenas peço que você não vote naquele que é amigo ou que vai lhe da um bem material. Simplesmente vote naquele que vai te dar ações positivas, que vão perdurar, que vão atingir seus filhos, seus netos. Incomode-se, investigue e cobre! Dada a sua confiança, exija o que foi dito. É simples e fácil, basta somente um pouco de consciência e vontade de mudar. Pode ter certeza que se deparar com uma cena como a descrita é muito deprimente e pior ainda é lembrar. A partir de hoje, espero que essa lembrança seja somente minha e sua, que ela seja apenas uma história a ser contada a nossos netos e não uma realidade deles.